O Caderno do Zico: A Lição de Currículo Esportivo que Todo Pai Deveria Aprender
Você já deve ter visto ou ouvido falar do documentário "Zico, o Samurai de Quintino", lançado nos cinemas em 2026. Tem uma cena — na real, um detalhe do acervo pessoal dele — que eu não consigo parar de pensar desde que vi: um caderno, simples, de capa comum, onde o Zico anotava, à mão, cada partida que jogava ao longo da carreira. Não só os gols — vitórias, derrotas, empates, tudo. O filme mostra, inclusive, que até o pênalti perdido na Copa do Mundo de 1986 está anotado ali.
Não é só uma curiosidade bacana pra contar no churrasco. É, na minha opinião, um dos melhores exemplos práticos que existem sobre por que registrar a trajetória esportiva de um atleta — mesmo quando ele ainda está começando lá na categoria de base — faz toda a diferença.
Vamos falar sobre essa história, e sobre o que ela ensina pra quem está acompanhando um filho ou filha no futebol de base hoje.
A história por trás do caderno
Quando a equipe do documentário chegou pela primeira vez na casa do Zico pra levantar material de arquivo, encontrou muito mais do que esperava: caixas com fitas VHS, filmes em Super-8, troféus, medalhas, camisas históricas (inclusive a do Mundial de 1981) — e, entre tudo isso, um caderno com anotações detalhadas de cada partida disputada ao longo de toda a carreira dele.
Esse acervo foi guardado e catalogado ao longo de décadas, principalmente pela esposa do Zico, Sandra, que teve um papel essencial em manter tudo organizado. O material acabou virando praticamente um "museu pessoal" montado especialmente para as gravações do filme, dirigido por João Wainer.
Pensa bem: estamos falando de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, ídolo do Flamengo e da Seleção — e mesmo assim, ele sentiu a necessidade de anotar, jogo por jogo, tudo o que vivia em campo: vitórias, derrotas, gols marcados e até os momentos mais difíceis, como aquele pênalti perdido na Copa de 1986. Não porque alguém mandou. Porque aquilo importava pra ele — o resultado bom e o ruim, os dois fazem parte da mesma história.
Por que um caderno de anotações importa tanto assim?
Se você parar pra pensar, o caderno do Zico é, na prática, a versão analógica (e manual) do que a gente vem defendendo aqui no blog: um currículo esportivo. Só que feito à mão, partida por partida, ao longo de décadas — e sem esconder o que não deu certo.
E olha que interessante: mesmo sem nenhuma ferramenta digital, sem aplicativo, sem plataforma — ele encontrou um jeito de documentar sua trajetória. Isso diz muito sobre o valor real dessa prática, independente da época ou da tecnologia disponível.
Hoje, décadas depois, esse caderno virou parte importante de um documentário nacional sobre a vida dele. Ele não sabia, lá atrás, que aquelas anotações um dia se transformariam nisso — mas o hábito de registrar preservou uma história que, sem aquele caderno, provavelmente teria se perdido nos detalhes, mesmo pra alguém tão lembrado quanto o Zico.
A lição extra: registre também as derrotas
Aqui vai um detalhe que eu acho que merece destaque à parte, porque é onde a maioria das famílias erra sem perceber: é bem comum a gente só ter vontade de guardar os momentos bons — o gol, a vitória, o dia do título. Errar, perder, ser reserva? Isso a gente prefere esquecer.
Só que o caderno do Zico não funciona assim. Ele anotava cada partida, ganhando ou perdendo, marcando gol ou passando em branco. E olha que ele nem escondeu o pênalti perdido na Copa do Mundo de 1986 — um dos momentos mais difíceis da carreira dele, e que está lá, registrado, junto com tudo o mais.
Isso ensina algo importante: um currículo esportivo de verdade não é uma coleção de "melhores momentos" editados pra parecer perfeitos. É a trajetória inteira — com o que deu certo e o que não deu. E é justamente essa trajetória completa que mostra evolução de verdade pra quem for avaliar o atleta lá na frente, seja um clube, um olheiro, ou o próprio atleta olhando pra trás anos depois.
E se isso já valia a pena há décadas, imagina hoje
Aqui está o ponto que eu mais quero que você leve desse artigo: se um dos maiores jogadores da história sentiu a necessidade de anotar cada partida — boa ou ruim — num caderno comum, sem nenhuma ferramenta além de papel e caneta, imagina o valor de fazer isso hoje, de um jeito organizado, digital, com fotos e vídeos incluídos, para o seu atleta que está apenas começando essa jornada.
A diferença é que, hoje, você não precisa depender de um caderno que pode se perder, molhar ou ser jogado fora numa mudança de casa. Já falamos, em outro artigo, sobre como montar esse currículo esportivo de um jeito simples — e sobre por que isso importa tanto quando surge uma oportunidade real na carreira do atleta.
A lição do caderno do Zico não é "seu filho vai ser um craque histórico" — é que a prática de documentar a trajetória tem valor por si só, independente de onde essa carreira vai chegar. Se valeu a pena pra um dos maiores da história, vale a pena pro seu atleta também, seja ele o artilheiro do time ou o reserva que está só começando a aprender os fundamentos.
O caderno de papel virou plataforma — e ficou ainda mais fácil
A boa notícia é que você não precisa recriar o caderno do Zico à mão, anotando cada detalhe manualmente ao longo de anos. Hoje existe uma forma muito mais simples de fazer exatamente isso — e ainda com espaço pra fotos, vídeos e estatísticas, coisa que nenhum caderno de papel conseguiria guardar.
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Comece o "caderno digital" — 7 dias grátisPerguntas frequentes
O caderno do Zico realmente existe, ou é só uma história do documentário?
É real. O caderno faz parte do acervo pessoal dele, mostrado no documentário "Zico, o Samurai de Quintino" (2026), guardado ao longo de décadas junto com fitas, troféus e outros itens da carreira.
Só quem tem potencial de virar um grande jogador deveria documentar a trajetória?
De jeito nenhum — essa é exatamente a ideia contrária ao que esse artigo defende. O valor de registrar está na experiência em si, não em garantir um resultado específico no futuro.
Dá pra registrar retroativamente, se eu já perdi anos de história do meu filho?
Dá, sim. Nunca é tarde pra começar. O importante é criar o hábito a partir de agora, reconstruindo o que for possível do passado e mantendo a constância daqui pra frente.
Existe alguma forma "certa" de documentar a trajetória esportiva?
Não existe uma fórmula única — o Zico usou um caderno de papel, e funcionou perfeitamente para ele. O importante é a constância, não a ferramenta. Hoje, no entanto, plataformas digitais tornam esse processo mais completo e seguro contra perdas.
Pra fechar
Se tem uma lição que fica do caderno do Zico, é essa: grandes histórias não se escrevem sozinhas — elas precisam ser registradas. E isso vale tanto pra um ídolo do futebol brasileiro quanto para qualquer criança que está começando agora, numa escolinha de bairro, dentro do universo do futebol de base.
A pergunta que fica: qual vai ser o "caderno" do seu atleta?
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