A Lição de Cubarsí Para Quem Sonha com o Futebol de Base
Enquanto todo mundo comentava os gols e as jogadas de ataque da final da Copa do Mundo, teve um prêmio que passou mais discreto, mas que carrega uma baita história por trás: o de Melhor Jovem do torneio, que foi pro zagueiro espanhol Cubarsí.
E olha, a história dele é ainda mais surpreendente quando você descobre de onde ele veio: um vilarejo chamado Estanyol, na província de Girona, na Espanha, com pouco mais de 190 habitantes. Não é força de expressão — é uma cidade pequena mesmo, cheia de construções rurais, do tipo que você nunca imaginaria como berço de um zagueiro de Copa do Mundo.
Se a história do Yamal já te inspirou, a do Cubarsí completa essa lição de um jeito diferente — porque ele não foi o queridinho, o mais badalado, o "escolhido" desde cedo. A trajetória dele ensina outra coisa: sobre paciência, sobre estar pronto quando a chance aparece, e sobre construir uma carreira sem precisar ser o centro das atenções o tempo todo. Vamos conversar sobre isso dentro do universo do futebol de base que a gente vem explorando aqui.
De uma cidade pequena pra elite do futebol mundial
A família de Cubarsí não tem nenhuma tradição no futebol — o pai vem de uma família de marceneiros, dona de uma marcenaria que já passa de um século em atividade. Nada de "DNA de jogador" ou tradição esportiva em casa. Ele começou jogando nas categorias de base do Girona FC, o clube da região, antes de chamar a atenção de olheiros do Barcelona e ser levado pra La Masia — a mesma base lendária que também formou o Lamine Yamal, aliás, sobre quem já falamos por aqui.
Se você tem um filho numa cidade pequena, longe dos grandes centros, sem nenhuma "tradição de família" no esporte — vale lembrar dessa história. O talento não escolhe CEP, e clubes grandes estão sempre de olho, mesmo em cidades de 190 habitantes.
Ele não era o mais badalado — e olha onde chegou
Aqui está, pra mim, o detalhe mais valioso de toda a trajetória do Cubarsí: dentro da La Masia, com tantos outros talentos surgindo ao mesmo tempo, ele não era o nome que mais chamava atenção. Ficou, por um bom tempo, em segundo plano diante de outras "promessas" que recebiam mais holofote.
Mesmo assim, ele seguiu evoluindo com constância — a ponto de ser escolhido capitão das categorias de base do Barcelona do Sub-13 até o Sub-17. Ou seja: mesmo sem ser o mais comentado, ele já vinha sendo reconhecido pela comissão técnica como uma referência de liderança dentro do grupo.
Isso ensina algo que eu acho que todo pai precisa ouvir: não ser "o queridinho" da categoria não significa nada sobre o futuro do seu filho. Muita gente compara seu atleta com o colega que está se destacando mais naquele momento — mas desenvolvimento esportivo não é uma corrida linear. Quem está em segundo plano hoje pode estar construindo, silenciosamente, exatamente o tipo de base sólida que aparece mais forte lá na frente.
A grande oportunidade veio de uma lesão dos titulares — e ele estava pronto
O grande salto de Cubarsí pro time principal não veio de um convite planejado com antecedência — veio de uma sequência de lesões e desfalques na zaga do Barcelona, que abriu espaço pra ele aparecer, ainda aos 17 anos, e simplesmente não sair mais do time.
Repara na lição aqui: a oportunidade dele não chegou num momento perfeito, escolhido a dedo — chegou de repente, no meio de uma necessidade do time. O que fez diferença foi ele já estar pronto quando a porta se abriu. Isso é algo que já comentamos em outro artigo, sobre o papel do olheiro e da observação técnica: oportunidades muitas vezes aparecem de um jeito inesperado, e quem está preparado — tecnicamente e emocionalmente — é quem consegue aproveitar.
Disciplina e vida simples, mesmo virando titular do Barcelona
Um detalhe bonito da história do Cubarsí: quem convive com ele no dia a dia descreve um jovem tímido, educado e extremamente disciplinado — bem longe dos excessos e das excentricidades que a gente às vezes associa a jovens estrelas do futebol. A rotina dele combina treinos de altíssima exigência com uma vida tranquila: descanso, videogame, caminhadas na natureza quando o calendário permite.
E, junto com isso, ele manteve o compromisso com os estudos — algo priorizado tanto pela família quanto pelos tutores da La Masia — conciliando concentrações no mais alto nível competitivo com o ensino médio (bacharelato, no sistema espanhol).
Isso reforça algo que a gente já falou nos benefícios do futebol pra criança: virar destaque no esporte não precisa (e não deveria) significar abrir mão de uma rotina equilibrada — escola, descanso, vida simples. Pelo contrário: parece ser exatamente isso que sustenta uma trajetória de longo prazo.
Isso não é sorte — é sistema
Aqui vai um dado que acho fascinante: Cubarsí se tornou o segundo jogador mais jovem da história do futebol espanhol a atingir 50 vitórias na La Liga antes de completar 19 anos — atrás apenas do próprio Yamal. E o mais impressionante: dos 10 jogadores mais jovens nesse ranking histórico, 7 foram formados na base do Barcelona.
Ou seja, Yamal e Cubarsí não são exceções isoladas — são produto de um sistema de formação que, ano após ano, entrega resultado em série. Isso conecta direto com algo que já discutimos ao falar sobre o investimento crescente da CBF nas categorias de base brasileiras: estrutura bem feita, mantida com consistência ao longo dos anos, não gera um "milagre" isolado — gera geração atrás de geração de atletas prontos.
A lição pra hoje
Se a história do Yamal ensina sobre começar cedo e documentar cada passo, a do Cubarsí ensina outra coisa igualmente importante: você não precisa ser o mais badalado da categoria pra ter uma grande trajetória — precisa é manter a constância, mesmo em segundo plano, e estar pronto quando a oportunidade aparecer.
Isso vale pro seu atleta hoje, seja ele o titular absoluto do time ou aquele que ainda está brigando por minutos em campo. A trajetória dele importa desde já — e vale a pena ser registrada com o mesmo cuidado, esteja ele nos holofotes ou não.
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Comece a documentar essa trajetória — 7 dias grátisEsse artigo pode ajudar outro pai que você conhece
Se essa história te tocou de alguma forma — ou se você conhece outro pai ou mãe acompanhando um atleta que também não é "o queridinho" do time, mas segue treinando com constância — compartilha esse artigo com essa pessoa. Às vezes, a lição do Cubarsí é exatamente o que alguém precisa ouvir num dia em que o filho volta triste do banco de reservas.
Perguntas frequentes
Cubarsí sempre foi o destaque da base do Barcelona?
Não. Por um período, ele ficou em segundo plano diante de outros talentos que recebiam mais atenção, mesmo sendo capitão das categorias de base do Sub-13 ao Sub-17.
Como ele conseguiu virar titular do Barcelona tão jovem?
A oportunidade surgiu por conta de lesões e desfalques na zaga do time principal, ainda aos 17 anos — e ele aproveitou porque já estava tecnicamente preparado para assumir a posição.
A trajetória dele mostra que só quem vem de clube grande desde criança consegue chegar à elite?
Não necessariamente — ele veio das categorias de base do Girona FC, um clube bem menor, antes de ser recrutado pelo Barcelona. Isso mostra que talento pode ser identificado em qualquer estrutura, não só nos clubes mais tradicionais.
Existe algo em comum entre a trajetória de Cubarsí e a de Lamine Yamal?
Sim — os dois vieram da mesma base (La Masia, do Barcelona), o que reforça como um sistema de formação bem estruturado tende a produzir resultado de forma consistente, não como casos isolados de sorte.
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A história de Cubarsí prova que não é preciso ser o mais comentado da categoria, nem vir de um centro urbano badalado, pra construir uma trajetória de peso no futebol de base. O que conta é a constância silenciosa — e estar pronto quando a oportunidade, mesmo inesperada, finalmente aparecer.
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